segunda-feira, agosto 17

Por Ela...



Orgulhar-se.
Realmente ultimamente me sinto orgulhosa de mim mesma. Não confunda isso com o fato de “ah claro! Convencida!". Não é nada disso!
É o simples fato de sentir uma felicidadezinha bobinha, como se todo mundo pudesse reparar o porque do seu sorriso corado. Um alivio meio sem fundamento e um gosto particularmente tímido de tudo que você disse, fez, pensou e criou nos últimos tempos.
Olhando meus trabalhos antigos, vídeos, textos, etc. Comecei a perceber o meu traçado, o amadurecimento das minhas idéias dos meus gostos.
Enfim. A menina que usava tênis de menino hoje gosta de salto.
A Calça de moletom perdeu lugar para os vestidos rodados, as saias leves. A insegurança foi substituída por um sorriso certeiro.
Esses dias, andando com a minha grande amiga "Cintião", comentamos em tom de euforia - "Crescemos! Queremos os saltos!" (rs)
Na verdade o que eu acabei de citar foram exemplos simples, mas que representam muito.
Representam um traçado particular, mas que de uma forma ou outra, tomam uma proporção coletiva.
E por que de tudo isso? Finaliza assim:
Minha mãe - "tenho orgulho de você minha filha."
É por ela...



Paula Barboni

quarta-feira, julho 1

Um desabafo!

Humor!
Ultimamente o meu anda parecendo uma montanha russa. Resultado do desgaste, cansaço, problemas familiares, etc.
Queria uma ilha só pra mim. Exatamente! Só pra mim!
Distanciar-me de todo mundo, e ficar lá sentada debaixo de um coqueiro, sentindo a brisa e fazendo absolutamente NADA.
Claro que não quero isso para sempre, mas o tempo suficiente para relaxar.
Essa cidade me estressa, juntamente com as pessoas que aqui habitam. O trabalho, o transito, o dinheiro. Ou a falta dele... Tudo!
Para ser sincera, eu acho que deveria ser lei tirarmos uma folga disso tudo todos os meses.
Parece muito ou bobagem... Mas era disso que eu precisava.


E pra finalizar? Só não quero amolação!

sexta-feira, maio 15

Por Clarisse...

"Não entendo.
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo".

Clarice Lispector



Ela explicou melhor...

segunda-feira, maio 11

Uma Questão.


Eu gosto do modo delicado e preciso com que a vida nos guia. Na verdade acho admirável...
Não, ela não é dura, nem má e muito menos injusta. Somos nós que a tomamos como a culpada de nossas escolhas.
Você amanhece com a noção exata de como será o dia, é a sua atração do positivo ou negativo que faz com que a sua rotina seja boa ou não.
Tudo depende de uma forma particular e peculiar de se enxergar a realidade e de se apoderar dela.
Há dias que é preciso matar um leão, outros, você precisa domá-lo. Não se trata de uma violência gratuita, e sim de uma questão de sobrevivência, de poder sobre o que você vivencia, de amor pelo o que se faz necessário e apaixonante. É tudo uma questão pessoal, mas não foge a uma regra coletiva. Ou foge?
A simplicidade. Sim, pode parecer que não, mas é o que se caça diariamente, é o que nos aproxima da noção exata de vivermos em uma selva. É o fato de se sentir feliz com o que parece menos importante. É comer aquele doce caseiro feito pela mãe que faz lembrar a infância, é dividir um algodão doce com alguém que se goste, é ouvir um elogio surpreendentemente inesperado. Aquele perfume deixado em rastros que te coloca a exercitar a memória. Na verdade queremos as sensações, queremos sempre conquistar algo que nos remeta a esse tipo sentimento. Não sejamos hipócritas querendo dizer que não queremos ganhar dinheiro, assumir um lado capitalista, enfim. Mas queremos ganhar sempre mais e mais, justamente para alcançarmos as sensações que julgamos distantes. O corre-corre da nossa dilacerante rotina nos faz ter a ganância de querer comprar elas – as sensações.
Se há preço pra isso?
Como eu disse, é uma forma muito particular e peculiar de crer...
No mais, me agrada por enquanto, a doce guia que a vida nos leva, de uma forma rude e delicada. Sem culpas... Sem ressentimentos. Parei de culpá-la.

segunda-feira, maio 4

Cólera.

De todos aqueles que têm fome, que mordem a poeira.
De todos que não tem nada.
Por eles, que os demais sejam confiscados.
Que sejam privados da sobremesa.
Vou boicotar suas saídas e derrubar suas pontes.
Penetrar a ciência e castigá-los até enjoarem da água de seus rins.
Vou me embriagar de cor e depois gelar o olhar.
Vou bailar frenética uma dança descoordenada e assustá-los. Vou roubar seus bons sonhos.
Apagar a luz. Bancar a criadora da cretina medicina.
Por todos aqueles que ainda fazem a digestão da poeira, eu vou impor uma defesa.
E no fim, quando lhes servir um gole de água mineral, vou morrer de felicidade, até o copo secar.
Uma guerra interna, de um coletivo particular digno.

Uma cólera pela pandêmia...

quinta-feira, abril 16

Bloco da Paixão, e Segue...


Deixa eu cantar um carnaval, assim de leve, na miúda.
Deixa eu relaxar no meu gozo, porque amanhã fica tenso denovo.
Deixa eu ser desvairada mesmo, porque a minha gargalhada quebra o silêncio...
Deixa eu grudar na tua nuca e sussurrar:"Sou eu mesma, querendo saber qual o limite dos sentidos".
É uma farra. É um carnaval colorido, que mexe comigo. Um bloco de mim, um maracatú que me bate, que me faz pulsar.

Você me faz cantar. Então deixa (...) deixa esse bloco avançar.


Paula Barboni

quarta-feira, abril 8

Excesso de Informação...

Falta de inspiração.

Todo mundo passa um dia por isso. Mas nunca se deve abandonar uma paixão, não se faz isso!

As crises acontecem em qualquer situação. Aposto que até os farmacêuticos sofrem disso.

Até Deus sentiu isso, senão não teria informado sobre o "apocalipse".

Mas... por enquanto:

- O que eu não preciso, eu jogo fora.

As vezes é necessário fazer um "Scandisk" mental.

terça-feira, fevereiro 17

Constante.

Fonte: Paula Barboni

Ela queria fazer cinema. – Não! Não... Ela queria mesmo era fazer arte, ser ela no limite do possível. É difícil se assumir nos dias de hoje. Sempre tem alguém querendo te mudar, te cobrando mudanças, enfim. O engraçado é que elas, as mudanças, acontecem de uma forma ou de outra. É a constante da vida. Inconstante.
Vão te valorizar pelo relógio que você usa ou pela etiqueta da sua camisa. Se você usar uma camiseta que tenha estampada a única palavra que seja a chave pra encontrar a felicidade, ou cumplicidade, etc (...) não vai importar, caso a sua etiqueta não seja de marca conhecida.
Você tomaria um remédio de nome desconhecido, pelo qual lhe prometesse qualquer cura? Talvez não. Isso também é social, não vão te engolir se você não fizer o jogo deles. Dos julgadores. Mas se você provar por A mais B que o tal medicamento funcione talvez você convença algumas pessoas. Provavelmente seja você a primeira cobaia, e com toda certeza vão te julgar por isso também. É. É complicado sim.
Quanto vale o seu estilinho “IN”? Ou melhor, isso se calcula?
Na verdade, praticamente todo mundo é igual quando está pelado, salvo algumas exceções, logicamente, isso se você se focar em partes mais relevantes. Enfim, uma questão muito particular, mas que em todo caso não foge absolutamente do foco. – Como eu sempre digo “Todo mundo é igual brother!”. É! Eu falo assim, de forma simples mesmo, porque quero ser compreendida de uma forma simples também. As mensagens mais importantes não buscam “floreios”, porque o que falta nessa nossa “vidinha” é a própria simplicidade.
Mas de qualquer forma, ela ainda gostaria muito de fazer arte. Então você se pergunta: Quem?
Realmente importa? Eu acredito que não. Na verdade todos nós queremos ser alguma coisa que realmente gostemos. O caso é – Será que realmente queremos?
Eu pretendo mudar algumas coisas por aqui também, só não sei se por mim ou por qualquer outro motivo. É inconstante. Eu sei... Mas isso também muda.

Paula Barboni.

segunda-feira, fevereiro 2

"Mim"



A soma de mim é a subtração de alguém.
O resultado de mim é a soma de alguém
Tão rápidos, quão milésimos, me transformam na divisão de mim,
Quando no mais sou apenas o resultado de alguém, multiplicado por centenas de ti.
A crescente de mim é simplesmente o acréscimo do que vem
E quando não vem, é triste enfim.
A conquista de mim se faz do pedaço da felicidade de outrem
E tão bonito se torna
Quando faz parte de mim
A história de mim se vai por alguém
Que conta e reconta na soma do que veio de alguém
E tudo se modifica
Por pequenos grãos
Por pequenos suspiros
Por grandes sonhos, por singelos sorrisos.
A soma de ti
Faz-se em um pedaço de mim.
Tão generoso, que me toma.
E eu fico em mim, me sentindo mim.
Feliz de mim.



Paula Barboni

terça-feira, janeiro 27

Pílulas


Não há dúvidas. Aperfeiçoaram a cura, e com ela surgiram às pílulas.Pílulas para:
Inchaço nos pés, Câimbras, Tristeza, Alegria em excesso, Enxaqueca, Para ser sociável, Para ser quieto, Para ser elétrico, De açúcar, Alucinógenas, Para criar cabelo, Para crises existenciais, Para socialização, Para enxergar o que não se vê, Para não ver o que se enxerga, Para acordar bem, Para acordar mais tarde, Para não acordar jamais, para simplesmente sonhar, para parar de sonhar, para dores musculares, para pulsar, para gozar, para reprimir, para criar, para dar câncer, para curar, para ser especial, pra ficar legal, para ser herói, para dar coragem, para ativar inteligência, para ser discreto. Pílulas para fornecer segurança, para ficar elegante, para ser moderno, para dar status, para ficar sincero, para mentir sem culpa, para sentir culpa, para viciar, para romper os vícios, para parar de fumar, para fumar menos, para fumar às vezes, para fumar sem culpa, para fumar com culpa, para fumar sem culpa, para dar calor, para sentir frio, para vencer, para perder numa boa, para fazer amizade, para correr mais depressa, para correr... sem pressa, para ficar tranqüilo, para quebrar a tranqüilidade.
Pílulas para surdos, mudos, míopes, dementes, insanos, hipocondríacos...
Não há por que se preocupar.
Há pílulas para isso. Caso haja contra-indicação, alguém irá receitar uma pílula para sanar qualquer mal.
Essa é a medicina humana. É o que se instalou para nos sentirmos melhor, quando queremos o além. A auto-confiança e a qualidade de vida se resumiram à mini-capsúlas.
Paula Barboni

quinta-feira, janeiro 8

Carta ao Léo

São Paulo, ? de ? de ????. 

 

Olá. Venho por essas mal traçadas linhas, explicar o que não expliquei antes. Tentei juro que tentei, mas a vida. Ah! Toda ela... Tão corrida. Ia escrever. Logo (...). Acho. Senti saudades. Remexi na caixa de lembranças e vi uma foto sua já praticamente apagada pelo tempo, um bilhete escrito em guardanapo, totalmente ilegível, e um papel de sonho de valsa. Como vai a tua saudade? A minha anda apertada. A última carta voltou, com o meu nome no remetente. Tinha as mesmas palavras que eu tinha escrito. Achei que a minha correspondência tinha voltado, mas sei que foi uma resposta sua, uma charada. Lembra do ultimo sorriso? Eu partindo, triste, desconsolada e com medo. Tentei voltar pra te estender à mão pela ultima vez, mas já era tarde, não tinha mais ninguém mirando a minha coluna. Os telefonemas. Lembra? Peguei o telefone todos os dias, mesmo antes de ouvi-lo tocar, sabia que era você do outro lado da linha, mas nunca respondeu. Eu sei. Direito seu. Fui eu quem partiu. Agora, depois de tanto tempo, decidi escrever, saber como você está. Se ainda pensa em mim, etc. Fique bem. Eu também ficarei... Ass. Alguém.

 

P.S- Destinatário não encontrado.

terça-feira, janeiro 6

Devora.

FOME.
Aquela que dilacera as entranhas.
Que toma os sentidos.
Que bebe em longos goles, a ansiedade da sua morte.
FOME.
Daquele que se arrasta em fuga.
Faminta, cheia de saúde, invadindo, sucumbindo.
Aos olhos e suspiros.
Sem queixar-se aos gritos.
O buraco do estomago...
Uma fome com a saúde de ferro.
E quem respira sua presença.
Teve a chance de ver...
A FOME segue faminta por se alimentar de quem a sente.

Fazendo uma nova dieta. Que venha 2009...